Trajetória Política

Sua iniciação política deu-se naquela vanguarda que estabeleceu um divisor de águas no cenário brasileiro do século XX. Foi um dos primeiros alistados ao recém-fundado Partido Comunista do Brasil (PCB).

Na condição de militante comunista, representou o PCB em congressos internacionais. Juntamente com Leôncio Basbaum cumpriu a missão de visitar Luis Carlos Prestes em seu exílio argentino, para entrega do Manifesto Comunista. Em certo sentido, ele pode ser considerado corresponsável pelo recrutamento do herói militar brasileiro para os quadros do movimento marxista-leninista. Permaneceu no PCB de 1923 até 1934, quando rompeu com a agremiação partidária.

Em 1937 deu uma guinada política, apoiando a implantação do Estado Novo por Getúlio Vargas. Foi recompensado com a nomeação para o cargo de Diretor do Departamento de Propaganda e Turismo do Distrito Federal pelo interventor Amaral Peixoto, genro do Presidente Getúlio Vargas. Mais tarde, revisou sua posição. O estabelecimento da censura à imprensa levou-o a combater o regime ditatorial.

Com a eclosão da Segunda Guerra Mundial, tormou-se comentarista do programa radiofônico “A marcha da guerra” (1939), transmitido em cadeia nacional sob o patrocínio do governo norte-americano. Nessa oportunidade, trabalhou em parceria com o tenente-coronel Humberto de Alencar Castelo Branco, que seria convertido no primeiro ocupante da Presidência da República durante o ciclo militar 1964-1985.

Em 1945, na esteira da redemocratização, filiou-se ao Partido Republicano - PR , fortalecendo a candidatura presidencial do brigadeiro Eduardo Gomes. Colaborou mais adiante com o Presidente Juscelino Kubitschek, de quem foi conselheiro de imprensa.

Convertendo-se ao catolicismo, assumiu em 1963 a liderança do Movimento Pró-Beatificação do Padre José de Anchieta. Em função dessa cruzada, foi recebido em Roma pelo Papa Paulo VI.

Após o golpe militar de 1964, filiou-se ao partido oposicionista “Movimento Democrático Brasileiro” ( MDB ), em cuja legenda foi eleito Senador em 1970, vencendo com o apoio do então governador Chagas Freitas. Reeleito em 1974, permaneceu no Senado até 1978, ano da sua morte.

Como reconstituir seu itinerário político ? Para dar resposta a esta questão vamos recorrer ao perfil escrito pelo professor Leodegário de AZEVEDO FILHO (1981), que registrou esquematicamente a evolução do seu ideário, desde os tempos da juventude até a maturidade intelectual:

"Se recuarmos no tempo, vamos encontrá-lo, como tantos moços de sua geração, às voltas com a leitura de Marx e com a revolução social por ele proposta. Não raro os jovens se inquietam e se angustiam com as desigualdades e injustiças sociais, vendo no marxismo a tábua de salvação."(...)

"Não tardou, porém, que a sua inteligência compreendesse que, as posições radicais, de esquerda ou de direita, acabam por destruir o sentimento de liberdade no homem, minando os fundamentos da própria democracia. Mas certamente lhe ficou, do convívio intelectual com autores marxistas, aquela certeza de que a injustiça social avilta e degrada a humanidade." ( ... )

"...ampliando-se na Universidade a sua visão de mundo, continuou a defender, pela imprensa, a causa social da liberdade e da democracia. ( ... ) Mas a sua aspiração maior, por uma espécie de contingência histórica a que não poderia fugir, apenas encontrou total ressonância na forma democrática do Governo, realmente liberal... ( ... )

"Defendia a democracia liberal, a única que nos serve, por índole e tradição. Por isso, o Brasil chora a sua ausência numa hora em que a sua palavra e a sua experiência poderiam orientar a procura de soluções verdadeiramente democráticas para os grandes problemas que atormentam a atual vida política e econômica do nosso País."

Fonte: 'O Pioneirismo de Danton Jobim na Pesquisa Jornalística Brasileira', José Marques de Melo